A desacelaração da locomotiva

4 11 2008

Como uma locomotiva que perde ritmo e faz com que toda a composição entre em desaceleração: assim o mundo está reagindo à grave crise que trouxe a economia da maior potência do globo de volta ao noticiário econômico. A abundância de crédito irresponsável colocou os Estados Unidos diante do fato histórico que mais o apavora: o crack da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929.

Os pregões americanos entraram em queda livre, tanto o tradicional índice Dow Jones quanto o tecnológico Nasdaq, e puxaram consigo as bolsas do mundo inteiro. Como a grande parte dos negócios ao longo dos cinco continentes é baseada nas relações comerciais com a potência, uma onda, ou melhor, uma tsunami abalou o cenário econômico mundial.

Para evitar a quebradeira geral, os governos europeus lideraram uma ajuda em massa para os bancos em crise, seguida por diversas outras nações. Ao comprar os títulos podres, ou seja, aqueles sem garantia de pagamento, os Estados tornaram-se sócios dos bancos, para que, depois que chegar, e se chegar, o fim da crise, aos poucos saiam de cena, após o pagamento da dívida.

A medida acalmou o famigerado mercado financeiro e trouxe de volta as altas para as bolsas de valores. Entretanto a pergunta que fica é: até quando?

E o Brasil, como fica nessa?

Embora o presidente Lula diga que o tsunami da crise vai passar feito uma marolinha pelo mercado brasileiro, alguns fatores podem trazer preocupação para o investidor brasileiro, mas também para a Dona Maria, dona-de-casa que tem medo que a crise afete o orçamento mensal.

A economia do Brasil é muito dependente da exportação, especialmente das commodities, matérias-prima para outros produtos. Como a produção mundial de qualquer produto foi afetada pela crise, as matérias-prima tiveram uma forte queda nos preços, afetando diretamente as empresas brasileiras. Além disso, com o aumento do dólar, alguns produtos necessários na mesa das famílias terão possível alta. É o caso do pão e da massa, que tem sua produção atrelada ao trigo argentino, vendido na moeda americana.


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